Campanha contra a anorexia

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Ontem, meu professor de Primeiros Socorros mostrou rapidamente este vídeo em sala. O vídeo trata basicamente, de forma sútil, de um dos mais conhecidos distúrbios alimentares: a anorexia. É um problema tão grave que altera não só a percepção do indivíduo em relação a si mesmo como, em estágios mais elevados, pode até causar a morte. A anorexia é resultado da pressão silenciosa que a sociedade, como um todo, vem recebendo e retransmitindo para que haja uma adequação a qualquer custo a um padrão praticamente inatingível.

A anorexia não só atinge mulheres, como homens, adolescentes e até crianças. Os processos de exclusão, como disse, são silenciosos, mas eficientes. O ser humano cada vez mais, em busca de uma sensação ilusória de pertencimento, passa por cima de suas particularidades em nome da aceitação. No meio de tudo, não só aquilo que somos se perde. No meio desta busca por pertencimento, vale de tudo… Inclusive pôr a vida em jogo. Então, meu povo, se quer emagrecer, faça de forma consciente. Nunca coloque sua saúde em jogo e saiba reconhecer quando já está bem. Não alimente em si mesmo a ilusão de que seu emagrecimento será o passaporte paraa inclusão em todos os momentos de sua vida. Emagreça para ter saúde, viver mais, curtir mais este tempo ao lado das pessoas que ama. Só não jogue sua vida no lixo, porque a sociedade como um todo, que te cobra, que te exclui, não estará ao seu lado na hora do aperto.

Bom, o vídeo já fala por si.

Beijão

Jana.


Pensar como magro? Como assim?

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(Imagem: Fernando Botero)

Várias vezes ouvi afirmações como esta: “Para emagrecermos, precisamos pensar como magros”. Acho interessantes estas frases típicas de livro de auto-ajuda. Como assim pensar como magro? Será que todo magro controla a qualidade e a quantidade dos alimentos que ingere? Será que todo magro pratica exercícios para manter a saúde em dia? Será que todo magro pensa teoricamente magro? Será que o magro não adora chocolate e suspira quando vê um ou tem sonhos eróticos com uma fatia de pizza? Enfim, queria saber quem desenvolveu esta teoria de que todo magro pensa em folhas de alface, caminhadas às 5 horas da manhã e ainda abomina doces e alimentos calóricos em geral.

É realmente preocupante como ainda as pessoas sustentam lendas urbanas como esta: de que pessoas com excesso de peso são verdadeiras máquinas de comer, gulosas e não possuem nenhuma preocupação com o que ingerem e que o magro, por ser magro, é o comedido, o consciente. Longe de cair em um maniqueísmo maluco, de um “gordos versus magros”, o que quero chamar atenção é exatamente para estas malditas construções que são feitas em relação às pessoas que, por razões múltiplas, sofrem com a obesidade. A obesidade é uma doença multifatorial, ou seja, há inúmeras causas para seu aparecimento e os tratamentos nunca se restringem apenas ao “fechar a boca”. Há pessoas que sofrem com ansiedade, depressão e que precisam de acompanhamento psicológico para lidar com a obesidade, outras possuem algum problema na tireóide, apesar dos casos serem mais raros, etc. Resumindo, o obeso, meu povo, não é sinônimo de glutão e desesperado. Há pessoas que enfrentam a obesidade e que são extremamente conscientes em relação à alimentação. É preciso derrubar aos poucos o clichê de que o obeso precisa ser amarrado pra não devorar até os seus pensamentos, inclusive para que as pessoas, que lutam para administrar este problema, não incorporem esta dita verdade inqüestionável e não se auto-flagelem por causa da generalização irresponsável do outro.

Controlar a alimentação, a quantidade e a qualidade do que é ingerido, não é privilégio e exclusividade do magro, porque muitos nem partilham desta preocupação. O cuidado com a alimentação e com a saúde é próprio de todos aqueles que se preocupam em viver mais e de forma saudável. Logo, quando você ouvir alguém dizer “pense como magro”, questione de onde surgiu esta teoria furada e depois me conte de que boca abençoada saiu tamanha besteira.


Diferença entre alimentos light e diet

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Ilustração: Fernando Botero

Ilustração: Fernando Botero

Muitas pessoas, quando estão organizando sua dieta, geralmente dão uma passada no mercado e a confusão diante das prateleiras começa. Alimentos diet e light são sinônimos? Posso encher meu carrinho com ambos e mandar ver? Resposta: Não!

No artigo “Qual a diferença entre alimentos diet e light???“, de acordo com a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o termo diet pode ser usado:

Nos alimentos para dietas com restrição de nutrientes (carboidratos, gorduras, proteínas, sódio); nos alimentos para dietas com ingestão controlada de alimentos (para controle de peso ou de açúcares).

Os alimentos diet são restritos em relação a determinado nutriente, seja ele carboidrato, gordura ou até mesmo proteína. Muitas pessoas também acabam associando este tipo de alimento, quando não associam ao auxílio na perda de peso, aos diabéticos. Existem os alimentos voltados para diabéticos, aqueles que têm restrição de açúcar adicionado, mas, como disse anteriormente, há os alimentos também que têm restrições voltadas para lipídeos e proteínas, dependendo da patologia do consumidor.

Os alimentos restritos em carboidratos (pão, chocolate, bala diet) ou gorduras (iogurte desnatado 0% de gordura) podem conter, no máximo, a adição de 0,5 gramas do nutriente por 100 gramas ou 100 mL do produto. Já, os alimentos restritos em proteínas devem ser isentos desse nutriente. Como, a quantidade permitida nos alimentos com restrição de carboidratos e gorduras é muito pequena, é comum a definição de alimento diet sendo o produto isento de um nutriente específico.

Então, para fins didáticos, entendamos alimentos diet como todos aqueles que possuem restrição em um nutrinete específico. A restrição do nutriente não indica diminuição das calorias. Alguns produtos, como chocolates diet, por exemplo, possuem restrição do açúcar adicionado mas a porcentagem de gordura é igual ou até maior que a dos chocolates comuns, logo não se iluda achando que chocolate diet é sinônimo de farra!

Passemos agora então para os alimentos light. A definição de alimento light é a de

A definição de alimento light deve ser empregada nos produtos que apresentem redução mínima de 25% em determinado nutriente ou calorias comparado com o alimento convencional.

Nos alimentos light ocorre a redução de algum macronutriente, que é exatamente o nutriente que oferece as porcentagens de calorias. Micronutrientes não possuem calorias, logo ele não será light só porque houve uma redução no cálcio!

Os alimentos light, apesar de serem aliados em dietas para perda de peso, são superestimados. Algumas pessoas acreditam que se alimentando apenas de alimentos light conseguirão perder peso milagrosamente. Os alimentos light, apesar de terem reduzidas suas calorias, ainda possuem calorias! Não esqueçam deste detalhe!!! O interessante é consumi-los de forma racional em parceria com alimentos mais naturais, como frutas, verduras, legumes, etc., que além de serem mais saudáveis, são mais baratos e menos manipulados industrialmente. Se você tiver como adquirir produtos orgânicos, melhor ainda!

Fica então a dica e o toque: alimentos diet e light não são a mesma coisa! Um indica restrição ou isenção de um nutriente, direcionado geralmente a indivíduos que possuam uma patologia específica e o outro indica redução calórica, indicada para o consumidor dito saudável.


Os spams absurdos sobre métodos de emagrecimento

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Se há uma coisa no mundo que abala o senso de humor de qualquer pessoa é spam e ainda mais quando o spam é, como a maioria das vezes, irresponsável. Hoje nossas caixas de mensagem ficam abarrotadas com essas pragas virtuais, que não há anti-spam que dê jeito. Recebi ontem um spam que me fez ter vontade de escrever este post. Já recebi várias propagandas relacionadas a produtos e métodos para emagrecer, que prometem mundos e fundos, mas este foi incrivelmente tosco. O e-mail começava com a seguinte pergunta: “O que você faria se estivesse magra?

Certa vez eu escrevi um post sobre todo este mito maluco de que as pessoas só começam a viver depois que atingem um “peso ideal” e de repente me deparo com algo que circula e que reitera esta besteira sem fim. Por discursos irresponsáveis como este é que mulheres, homens, adolescentes, crianças acabam entrando em quadros de depressão, porque nem conseguem viver sua realidade no hoje e nem conseguem forças para planejar o amanhã. Até quando as pessoas vão viver achando que precisam se adequar para terem uma vida? Todos estes padrões são culturais e mudam! Nos anos 20, as mulheres apreciadas eram as mais cheinhas por exemplo. Padrões estéticos mudam e o que você fará diante desta mutação perene? Acho assustador quando as pessoas precisam o tempo todo de direções para a vida. Que cabelo usar, que roupa usar, que música ouvir, que filmes assistir, que livros ler. Será que estamos, todos nós, deixando que joguem fora nossas singularidades em nome de uma massificação sem fim?

Quando me deparei com este spam bizarro, fiquei imaginando quantas pessoas receberam um e-mail assim, quantas delas pensaram que está tudo errado na vida e que só poderão fazer algo depois de ficarem magras? Por que a vida só começará depois que conseguirem caber numa calça 40? Deixarão viagens, encontros, amores para depois? Deixarão de ver amigos, visitar a família para depois? Se o seu corpo o(a) incomoda, tente mudá-lo, mas não porque a sociedade homogeneizante te cobra essa mudança, mas porque você realmente a deseja. Busque apenas, no entanto, identificar se essa vontade de mudar parte realmente de dentro e não de uma força externa, alimentada pela mídia, com todos seus corpos apolíneos que circulam na novela das oito. Busque em você os seus verdadeiros desejos e não deixe sua vida em suspensão até lá. Vista o seu corpo no agora, proporcione prazer ao mesmo no agora, viva, enfim, o hoje e não uma projeção. E que spams, como este, sirvam para você entender o quanto toda esta cobrança é cruel e absurda e que podemos, vivenciando uma existência mais consciente, minar esta cultura de super valorização ao corpo e que anula o ser humano como um ser que ainda possui em si desejos, vontades, quereres próprios.


Alimentos funcionais – Parte III

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Depois da primeira e da segunda parte sobre alimentos funcionais, falaremos hoje sobre soja, tomate e uva vermelha.

  • Soja (Principal substância: flavonóides):

- Seu consumo regular pode diminuir os níveis de colesterol LDL;

- Ajuda a reduzir o risco de doenças do coração;

- Ajuda a regular o intestino;

- Pode ajudar a amenizar incômodos da menopausa e a prevenir o câncer de mama e de cólon.

Quantidade recomendada:

150 gramas de grão de soja por dia (uma xícara de chá).

  • Tomate:

- Auxilia na prevenção do câncer de próstata.

Quantidade recomendada:

1 colher e meia (sopa) de molho de tomate por dia.

OBS: Outros alimentos fontes de licopeno – melancia, goiaba, mamão, caqui.

  • Uva vermelha:

- Substância: Resveratrol – presente no vinho tinto seco ou no suco de uva vermelha;

- Ajuda a aumentar o colesterol bom;

- Evita o acúmulo de gordura nas artérias, prevenindo doenças do coração.

Quantidade recomendada:

- Dois copos de suco de uva por dia.


Alimentos funcionais – Parte II

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Continuando a série sobre alimentos funcionais, hoje vamos falar sobre Castanha-do-Pará, Chá verde, Frutas e verduras e Peixes.

  • Castanha-do-Pará:

- Assim como a noz, pistache e amêndoa, auxilia na prevenção de problemas cardíacos;

- Rica em selênio – mineral presente em mais de 300 enzimas do organismo, que atua no sistema no sistema imunológico, auxiliando no tratamento de doenças auto-imunes como herpes e combate ainda os radicais livres.

Quantidade recomendada:

1 unidade por dia.

  • Chá verde:

- Auxilia na prevenção de tumores malignos, além de retardar o envelhecimento;

- Estudos indicam ainda que pode diminuir as doenças do coração, prevenir pedras nos rins e auxiliar no tratamento da obesidade.

Quantidade recomendada:

De 4 a 6 xícaras por dia (para reduzir os riscos de gastrite e câncer de esôfago).

  • Frutas e verduras:

- Ajudam a prevenir diversos tipos de câncer;

- O consumo regular de frutas e verduras variadas auxilia na redução de doenças cardíacas e da pressão sanguínea, além de evitar doenças como catarata;

- 4ª causa de morte no mundo – o baixo consumo de frutas e verduras.

Quantidade recomendada:

- Três a cinco frutas e pelo menos 3 tipos de verduras diferentes por dia.

  • Peixes:

- Peixes ricos em Ômega 3 (sardinha, salmão, atum, cavala e bacalhau) previnem infartos e derrames, protegem o coração, reduzem  o colesterol “ruim” (LDL) e aumentam o bom (HDL);

- Podem reduzir dores de artrite, melhorar a depressão e proteger o cérebro contra doenças como o mal deAlzheimer.

Quantidade recomendada:

- 180 gramas por semana (p/reduzir o risco de doenças do coração).

OBS: Substituir a carne 2 a 3 vezes por semana, cozido, assado ou grelhado. Frituras e moquecas inativam o efeito protetor.

(Aguardem a terceira parte da série sobre alimentos funcionais!).


Alimentos funcionais – Parte I

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Bom, gente, resolvi fazer uma série de posts sobre alimentos funcionais. A lista é gigante, então vou postar só alguns para despertar a curiosidade! Os alimentos funcionais, além de fornecerem energia para o corpo, produzem outros efeitos que proporcionam benefícios à saúde, auxiliando na redução e prevenção de diversas doenças.

  • Aveia (rica em fibras solúveis e insolúveis):

- Diminui o colesterol “ruim”, o LDL;

- Melhora a prisão de ventre – fator de risco para câncer de intestino e de mama.

Quantidade recomendada:

- 3 colheres de sopa por dia de farelo de aveia;

- 4 colheres de sopa de aveia.

  • Alho

- Reduz a pressão arterial;

- Protege o coração ao diminuir a taxa de colesterol ruim;

- Aumenta os níveis do colesterol bom, o HDL;

- Ajuda na prevenção de tumores malignos.

Quantidade recomendada:

- 1 dente por dia (para diminuir o colesterol e a pressão arterial).

  • Azeite de Oliva

- Auxilia na redução do LDL (colesterol “ruim”);

- Sua ingestão, no lugar da margarina ou manteiga, pode reduzir em até 40% o risco de doenças do coração;

- Substitua a manteiga e a margarina pelo azeite de oliva, de preferência o extra virgem, primeira prensagem a frio. Não utilize o azeite para frituras, porque aquecido o mesmo perde suas propriedades;

- Use-o com pão, biscoito, inhame, aimpim, cuzcuz, saladas, sopas, etc.

Quantidade recomendada:

Uma colher de sopa.

Obs: O azeite oxida com a luz. Guarde-o na geladeira ou em prateleira fechada.

(Aguardem a continuação da série de alimentos funcionais).


Educando o paladar

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Uma das grandes dificuldades das pessoas que decidem optar pela reeducação alimentar é educar o paladar para outros sabores, que não sejam aqueles a que estão acostumados. Infelizmente somos a geração junk food, que disponibiliza alimentos doces demais ou salgados demais, condicionando o paladar apenas para estes dois sabores. O processo de reeducação alimentar engloba não somente disciplina e equilíbrio diante do que se come, mas também a disposição em experimentar alimentos novos e principalmente mais saudáveis.

Acredito que já comentei por aqui que durante muitos anos, viciada em junk food, frutas, verduras e legumes passavam longe do meu prato. Eu geralmente dizia não gostar de algo apenas de olhar, sem nem experimentar antes. Eu fazia parte do oceano de pessoas que são classificadas como pessoas de paladar infantil, ou seja, que não ousam experimentar nada e que se acostumam a um leque reduzido de opções de cardápio. A reeducação alimentar me ajudou não somente a desenvolver meu paladar, como também a aproveitar frutas, legumes, verduras, leguminosas, etc no preparo de pratos coloridos e atraentes.

Educar o paladar segue o mesmo ritmo de qualquer processo de aprendizagem: é preciso paciência, força de vontade e principalmente disposição e mente aberta para aceitar outras possibilidades. E aí? Que tal educar o paladar e potencializar seu processo de reeducação alimentar, criando um leque maior de alimentos que possam fazer parte do seu dia a dia?

Alguns estudos apontam que uma pessoa só realmente pode afirmar que não gosta de determinado alimento depois que o experimenta depois de 10 vezes. E então? Prontos para o desafio?


Obesidade e dúvidas frequentes

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Neste fim de semana passado, participei da II Jornada Ideal: Obesidade. O evento voltado para profissionais da área de saúde e interessados no assunto foi organizado por um grupo interdisciplinar dedicado aos estudos sobre longevidade e desta vez a temática escolhida foi a obesidade e todas as suas implicações na diminuição da perspectiva de vida do indíviduo obeso. Como a jornada era interdisciplinar, a idéia era mostrar que assim como a obesidade é uma doença multifatorial (sim, obesidade não é só causada por distúrbios alimentares), há também a necessidade da interferência de vários profissionais no processo de perda de peso: endocrinologistas, psicólogos, nutricionistas, professores de educação física, etc.

Foi uma experiência realmente útil para mim, não só porque hoje estou envolvida com nutrição, mas principalmente por ser uma pessoa que lutou a vida inteira contra a obesidade, sem saber de onde podem vir suas razões. Como disse anteriormente, a obesidade não é causada apenas por excesso de ingesta calórica, mas pode ter relação com distúrbios endócrinos, neurológicos, psicológicos (depressão por exemplo), assim como algumas síndromes e como o uso de medicamentos como contraceptivos, corticóides e antidepressivos, ou seja, o senso comum associa sempre a obesidade à comida somente, mas há diversas implicações que deveriam ser levadas em conta e que particularizam cada caso.

Achei muito interessante também a palestra da Nutricionista Luciana Coppini, que falou sobre Adesão à Reeducação Alimentar e que chamou a atenção para o fato de que o paciente deve receber tratamento individualizado e personalizado, respeitando a individualidade do mesmo, ou seja, ao elaborar uma orientação nutricional tem que ser levado em conta o sexo do paciente, peso, altura, atividade física e até mesmo fatores culturais e financeiros, para que tudo seja adequado à sua realidade. Hoje, é muito fácil encontrar dietas em revistas que colocam os indivíduos dentro de um mesmo pacote, ou seja, uma dieta de 1200 calorias servirá para todos? Deve se ter muito cuidado para não embarcar nestas loucuras e depois estragar com a dinâmica do organismo em função de uma perda de peso imediata, mas sem segurança.

Sem dúvidas, no entanto, a palestra que mais me chamou a atenção foi a do Dr. Albino Augusto, que tratou sobre a Cirurgia Bariátrica de forma lúcida e responsável. Em primeiro lugar, Dr. Albino destacou o fato de que a cirurgia é indicada em casos em que a pessoa corre risco de vida, ou seja, em casos que a obesidade já esteja desencadeando morbidades, ou as conhecidas doenças associadas e jamais teve em si um fim estético, como muitos acreditam hoje. Segundo ele o indíviduo escolheu emagrecer adoencendo seu organismo. Sempre achei que a cirurgia bariátrica é complicada e nunca realmente me animei a ser mutilada. Há vários tipos de cirurgia. Em alguns casos há retirada da vesícula biliar, de parte do estômago, de parte do intestino delgado, interferindo na absorção de alguns micronutrientes como Ferro, Cálcio, Selênio, Zinco e na síntese da Vitamina B12 e fator intrínseco, ou seja, o paciente passará a vida inteira dependente da indústria farmacêutica. Já que o organismo nem absorve mais os micronutrientes nem sintetiza algumas substâncias, tudo acaba sendo adquirido através de medicamentos. Quando iniciei a reeducação alimentar, meu IMC era 44. A cirurgia bariátrica é indicada para pacientes com IMC maior ou igual a 40, ou seja, eu me encaixava no padrão, mas preferi fazer uma tentativa sem que meu corpo precisasse passar por esta experiência que considero tão complicada e escravizante.

Muitas pessoas, hoje, estão tão enlouquecidas devido à obscessão estética que estão optando por ganhar peso para conseguirem chegar ao IMC que indica a necessidade de cirurgia. O interessante é que quando o paciente chega ao consultório da nutricionista, que faz parte do grupo que acompanhará o paciente neste processo, é orientado a perder 10% do seu peso como procedimento pré-operatório e o que é que o povo faz? Desespera-se porque engordou 20% do seu peso para se encaixar no IMC e perdendo os 10% de peso corpóreo sairá da faixa e o plano não cobrirá. Isso só mostra o quanto as pessoas estão desorientadas e traçando para a vida uns caminhos esquisitos em que a saúde deixa de ser importante na escala de prioridades. A saúde acaba por ocupar um degrau abaixo da estética.

Enfim, foi uma experiência válida para mim participar desta jornada, não só por tirar minhas dúvidas como paciente, mas também como alguém que acabou caindo de pára-quedas na área de saúde e que aos poucos está se encontrando neste novo contexto.

Beijo a todos,

Jana.


Produtos industrializados e a arte de seduzir o consumidor pela embalagem

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Fábio hoje me passou um link super interessante. O site é alemão, mas o que importa é entender o projeto da figura que o mantém. O dono do site ou o colaborador (não sei) simplesmente teve o trabalho de fotografar vários produtos alimentícios industrializados, suas embalagens e depois mostrar o conteúdo real das embalagens. Geralmente, quem tem o costume de viver de produtos industrializados sabe muito bem que a feijoada vendida nas latinhas está bem longe da figura ilustrativa, assim como aquela pizza de queijo maravilhosamente derretido que na realidade mais parece sola de sapato. Infelizmente, devido à correria do dia a dia, acabamos muitas vezes lançando mão de produtos vendidos em latinha, caixinhas, etc, cheios de conservantes e de sabor duvidoso, mas o trabalho desta figura merece uns aplausos, não só pela coragem de peitar as indústrias e antecipar o susto do consumidor, mas também para nos chamar a atenção de como estamos condicionados a comprar um produto meramente pela embalagem, sem nos darmos conta de que o Photoshop hoje ajuda não só a tonificar as curvas das mulheres nas revistas masculinas, mas também a nos fazer salivar e cairmos do cavalo depois.

É só clicar nas figurinhas e você dará umas boas risadas.

http://pundo3000.com/werbunggegenrealitaet3000.htm

Beijão

Jana.