Obesidade e dúvidas frequentes

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Neste fim de semana passado, participei da II Jornada Ideal: Obesidade. O evento voltado para profissionais da área de saúde e interessados no assunto foi organizado por um grupo interdisciplinar dedicado aos estudos sobre longevidade e desta vez a temática escolhida foi a obesidade e todas as suas implicações na diminuição da perspectiva de vida do indíviduo obeso. Como a jornada era interdisciplinar, a idéia era mostrar que assim como a obesidade é uma doença multifatorial (sim, obesidade não é só causada por distúrbios alimentares), há também a necessidade da interferência de vários profissionais no processo de perda de peso: endocrinologistas, psicólogos, nutricionistas, professores de educação física, etc.

Foi uma experiência realmente útil para mim, não só porque hoje estou envolvida com nutrição, mas principalmente por ser uma pessoa que lutou a vida inteira contra a obesidade, sem saber de onde podem vir suas razões. Como disse anteriormente, a obesidade não é causada apenas por excesso de ingesta calórica, mas pode ter relação com distúrbios endócrinos, neurológicos, psicológicos (depressão por exemplo), assim como algumas síndromes e como o uso de medicamentos como contraceptivos, corticóides e antidepressivos, ou seja, o senso comum associa sempre a obesidade à comida somente, mas há diversas implicações que deveriam ser levadas em conta e que particularizam cada caso.

Achei muito interessante também a palestra da Nutricionista Luciana Coppini, que falou sobre Adesão à Reeducação Alimentar e que chamou a atenção para o fato de que o paciente deve receber tratamento individualizado e personalizado, respeitando a individualidade do mesmo, ou seja, ao elaborar uma orientação nutricional tem que ser levado em conta o sexo do paciente, peso, altura, atividade física e até mesmo fatores culturais e financeiros, para que tudo seja adequado à sua realidade. Hoje, é muito fácil encontrar dietas em revistas que colocam os indivíduos dentro de um mesmo pacote, ou seja, uma dieta de 1200 calorias servirá para todos? Deve se ter muito cuidado para não embarcar nestas loucuras e depois estragar com a dinâmica do organismo em função de uma perda de peso imediata, mas sem segurança.

Sem dúvidas, no entanto, a palestra que mais me chamou a atenção foi a do Dr. Albino Augusto, que tratou sobre a Cirurgia Bariátrica de forma lúcida e responsável. Em primeiro lugar, Dr. Albino destacou o fato de que a cirurgia é indicada em casos em que a pessoa corre risco de vida, ou seja, em casos que a obesidade já esteja desencadeando morbidades, ou as conhecidas doenças associadas e jamais teve em si um fim estético, como muitos acreditam hoje. Segundo ele o indíviduo escolheu emagrecer adoencendo seu organismo. Sempre achei que a cirurgia bariátrica é complicada e nunca realmente me animei a ser mutilada. Há vários tipos de cirurgia. Em alguns casos há retirada da vesícula biliar, de parte do estômago, de parte do intestino delgado, interferindo na absorção de alguns micronutrientes como Ferro, Cálcio, Selênio, Zinco e na síntese da Vitamina B12 e fator intrínseco, ou seja, o paciente passará a vida inteira dependente da indústria farmacêutica. Já que o organismo nem absorve mais os micronutrientes nem sintetiza algumas substâncias, tudo acaba sendo adquirido através de medicamentos. Quando iniciei a reeducação alimentar, meu IMC era 44. A cirurgia bariátrica é indicada para pacientes com IMC maior ou igual a 40, ou seja, eu me encaixava no padrão, mas preferi fazer uma tentativa sem que meu corpo precisasse passar por esta experiência que considero tão complicada e escravizante.

Muitas pessoas, hoje, estão tão enlouquecidas devido à obscessão estética que estão optando por ganhar peso para conseguirem chegar ao IMC que indica a necessidade de cirurgia. O interessante é que quando o paciente chega ao consultório da nutricionista, que faz parte do grupo que acompanhará o paciente neste processo, é orientado a perder 10% do seu peso como procedimento pré-operatório e o que é que o povo faz? Desespera-se porque engordou 20% do seu peso para se encaixar no IMC e perdendo os 10% de peso corpóreo sairá da faixa e o plano não cobrirá. Isso só mostra o quanto as pessoas estão desorientadas e traçando para a vida uns caminhos esquisitos em que a saúde deixa de ser importante na escala de prioridades. A saúde acaba por ocupar um degrau abaixo da estética.

Enfim, foi uma experiência válida para mim participar desta jornada, não só por tirar minhas dúvidas como paciente, mas também como alguém que acabou caindo de pára-quedas na área de saúde e que aos poucos está se encontrando neste novo contexto.

Beijo a todos,

Jana.


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