Por que algumas pessoas quando emagrecem negam seu passado gordo?
(Dançarinos de tango – Foto: Janaína Calaça)
Não tenho uma resposta para a questão que fiz, mas algo que me incomoda bastante é ver pessoas que emagreceram negando seu passado e ainda se colocando na posição imaginária de seres acima do bem e do mal, prontos para apontar dedos e julgar quem quer que seja.
Minha história de vida sempre foi a história de vida de uma menina gordinha. Sempre! Enfrentei várias situações toscas, obviamente relacionadas à intolerância e a falta de respeito de algumas pessoas em relação às diferenças. Não canso de tocar sempre nesta mesma tecla. Acho que nossa sociedade vive a ilusória sensação de progresso, só porque os anos passam. Eu continuo acreditando que progresso só acontece quando são respeitadas verdadeiramente as diferenças. Ninguém precisa aceitar o outro, mas respeito é fundamental.
Vejo algumas coisas lamentáveis nas minhas andanças por alguns blogs. Sim, lamentáveis. Pessoas que simplesmente em nome da “nova” identidade apagam tudo, inclusive o passado e as experiências de vida como uma pessoa com excesso de peso. Já vi gente sacaneando pessoas gordas, porque perdeu peso e acha que está por cima da carne seca. Talvez o que mais me irrita seja justamente o fato de que estas pessoas, antes vítimas da intolerância alheia, das piadas, das brincadeiras de mau gosto, são as mesmas que, por mudarem de lado, adotam a mesma postura intolerante e imbecil das quais foram, como disse anteriormente, vítimas.
Sempre acho que motivações puramente estéticas não são suficientes para se querer emagrecer, porque se este é o foco, se o ponto que se quer chegar é tentar se enquadrar em um padrão, é bom parar pra pensar em quanto terá que mudar para chegar ao ponto desejado. Por exemplo, o que fará uma menina que queira ser modelo de passarela com 1,50 m? Fará uma cirurgia para modificar sua estrutura óssea? Enfim, o ponto que quero chegar é que os padrões criados são meramente construções do próprio homem e são transitórios. Os ideais de beleza mudam e como você fica no meio de tudo isso?
Em vez de usarem um espaço, como a internet, para incentivarem as pessoas a cuidar de sua saúde, muitas pessoas preferem simplesmente comemorar o agora na farra do aponta dedos e esquecem de tudo o que passaram quando tinham excesso de peso. Ainda estou na caminhada para perder peso, mas porque bem sei o histórico familiar que tenho de doenças cardiovasculares. Olhar meu passado e vê que agora estou mais saudável, que estou me alimentando melhor é o que me faz querer seguir em frente, mas não nego toda uma história de vida e não me reservo o direito de apontar ninguém por ainda não ter encontrado seu tempo para cuidar um pouco mais da saúde. Apagando nosso passado, apagamos nossos referenciais, nossas experiências. Em nome de que? De um pseudo-estar no mundo, de um enquadramento?



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Olá, estou chegando agora no seu blog
. Bem, até q não vejo muito essa atitude de ex-gordinhas apontarem os outros, mas o que eu vejo e tenho a certeza de q vai dar errado é um pessoal que acha que só vai ser feliz DEPOIS que emagrecer.
LEDO engano.
Um abraço.
1 said this (January 12, 2008 at 12:14 am)
Olá, Bluecherry!
Bom, a motivação de ter escrito este post foi porque vi algumas coisas bem toscas mesmo na blogsfera. Já vi uma ex-gordinha afirmar que pessoas gordas não são felizes, que antes quando era gordinha ninguém chegava perto, ninguém queria se relacionar e ainda fez a seguinte analogia barata de que mulher gorda é que nem mortadela, “é redondinha, cheia de gordurinha, todo mundo come, mas tem vergonha de falar”. Enfim, este caso foi um entre alguns que vi e a postura de pretensa superioridade é que de alguma forma me decepciona em ver.
Continuo acreditando, assim como você (concordo plenamente) que ninguém só será feliz quando for magro. Durante toda minha vida soube conviver com minha imagem. Tive meus altos e baixos como todos, tive relacionamentos, tive amigos, tive vida. Minha saúde é que começou a ficar comprometida. Às vezes, piadas, indiretas, olhares magoam, mas depois que você percebe que nenhuma daquelas pessoas ali são importantes em sua vida, você começa a tentar deixar pra lá.
Acho que é realmente muito pretensioso da parte de algumas pessoas acharem que possuem no discurso a chave da felicidade alheia. Como alguém pode afirmar tão arbitrariamente que os gordinhos não são felizes? É como se a felicidade, que depende de tantas coisas na vida para se consolidar em momentos, estivesse apenas associada à estética. Acho que todo e qualquer ser humano tem seus momentos de felicidade e esta vem de formas distintas: tendo a companhia de alguém, viajando, assistindo um filme, ouvindo uma música, olhando o mar, olhando fotos antigas, caminhando pra relaxar, etc… Se há tantas formas distintas de ser feliz, como alguém pode achar que pode condenar alguém à infelicidade, convencê-lo de que é infeliz, apenas por ser gordo?
É bem a perspectiva mercadológica, que manda você usar a roupa tal, o sapato tal, comprar a coisa x, beber o refrigerante y, porque se você não o fizer não estará no meio dos felizes e privilegiados.
É mais ou menos por aí, Bluecherry.
Muito obrigada mesmo pela visita e por ter se manifestado.
Beijão
Jana.
2 said this (January 12, 2008 at 4:10 pm)