Não à restrição, sim ao bom senso.

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(Solar do Unhão/Salvador. Imagem: Janaína Calaça)

Durante toda a minha vida passei por inúmeras tentativas de emagrecer. Já toquei diversas vezes neste assunto por aqui, mas nunca é demais reforçar certos pontos. Nunca consegui me adequar a dietas que envolvesse restrições ou cardápios prontos. Sou uma pessoa que sempre primou pela liberdade e com a alimentação não seria diferente. Comecei dietas restritivas diversas vezes e sempre as abandonei pela metade. Motivo? Quanto mais algo me era posto como proibido, mais eu o desejava, então o interesse despertado era tão grande que eu acabava sempre saindo da dieta.

Já estou há mais de três meses de dieta e sabe por que está dando certo? Não tenho nada proibido diante de mim. Absolutamente nada, mas sei bem diferenciar o que vale a pena e o que não vale. Não será de uma hora para outra que aprenderemos fazer as escolhas certas. A própria vida já segue a dinâmica das tentativas e erros ou acertos. Acerto hoje porque errei muito até aprender a fazer as escolhas certas. Se faço sempre as melhores escolhas? Claro que não! Mas compenso com outras coisas.

Posso comer carne vermelha, mas não como por escolha. Posso comer pizza, mas comerei apenas uma fatia e não quatro. Posso comer chocolate, mas apenas 25 g e não uma barra grande. Posso trocar tudo isso por uma refeição que me deixará satisfeita e não agredirá meu corpo? Claro que posso! Apesar dos queijos amarelos que tanto amo serem saborosos, aprendi a gostar do Cottage e melhorar seu sabor com temperinhos. Nunca diga que não pode mudar, porque se o mundo que te cerca movimenta-se, modifica-se, você, que é parte dele, pode fazer o mesmo.

Sou à favor da liberdade e restrição para mim não ajuda ninguém a amadurecer e tomar as rédeas do seu emagrecimento. Emagrecer é uma escolha e envolve outras tantas escolhas mais. Minha mãe me olha estranho quando me vê comendo cuzcuz e eu digo conscientemente que não há nada demais em comer uma xícara de cuzcuz. Não se justifique. Apenas faça o que tem que fazer por você.

Escolher faz parte da vida. Você escolhe o que assiste, o que lê, o que ouve, quem quer para partilhar a vida, os lugares prediletos, entre tantas outras coisas mais. Escolho os filmes que me marcaram, os livros que mais me tocaram, as músicas que embalam meu sono e meu dia, o homem que divide comigo a mesma cama, o pôr do sol da minha cidade como o mais belo e acolhedor, as imagens que tatuei no meu corpo, os amigos que levo na vida, os caminhos que segui e assumo os erros e acertos. Por mais que me indiquem direções, sempre no fim o que prevalece é a minha capacidade e vontade de caminhar com meus próprios pés. Comer também é um ato de escolha.

Beijos,

Jana.


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